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sexta-feira, 24 de setembro de 2010

Talvez eu esteja muito surpreso.




Maybe I'm amazed at the way you love me all the time
Maybe I'm afraid of the way I love you
Maybe I'm amazed at the way you pull me out of time
You hung me on the line
Maybe I'm amazed at the way I really need you

Maybe I'm a man
Maybe I'm a lonely man who's in the middle of something
That he doesn't really understand.

Maybe I'm a man
And maybe you're the only woman who could ever help me.
Baby, won't you help me to understand?

...

Maybe I'm amazed at the way you're with me all the time
Maybe I'm afraid of the way I leave you
Maybe I'm amazed at the way you help me sing my song
Right me when I'm wrong
Maybe I'm amazed at the way I really need you.


~ Maybe I'm Amazed
Paul McCartney
@Paul McCartney (1970)



Acho que vocês se lembram do post que fiz sobre o meu casal favorito de todos os tempos. Esta música foi uma das primeiras de muitas que Paul escreveu pra sua esposa, companheira e melhor amiga, Linda. Nesta época, Linda o estava ajudando a atravessar o momento difícil que surgiu para ele com o fim dos Beatles. A canção não chegou a ser um single enquanto Paul estava em carreira solo, mas depois foi relançada já com o Wings, ganhando até um vídeo oficial:

Vídeo super família: o casal com as filhas, a cachorra Martha e a fazenda na Escócia.

Ainda mais cedo eu estava assistindo ao DVD Wingspan, que é um documentário sobre a trajetória do Wings, desde que Paul e Linda se conheceram. É uma entrevista divertida com Paul McCartney, feita pela filha mais velha do casal, Mary (o bebê do vídeo acima). Tem vários trechos de entrevistas antigas com eles, e eu adoro a voz da Linda, ela tem um tom super grave; fora tudo o que a envolvia, seu senso de "não ligo pro que dizem de mim, eu uso meias que não combinam se eu quiser" e tudo o mais.

Enfim, hoje seria o aniversário de 69 anos de Linda McCartney, minha tia favorita.

sábado, 17 de abril de 2010

"Toda canção de amor que escrevo é para Linda"


"Oi, meu nome é Paul. Qual é o seu?"
Paul, você era péssimo com cantadas. Ou muito bom, porque funcionou. Mas como essa mulher não saberia quem era você, já em 1967, numa sala cheia de bandas sessentistas que ela estava fotografando para o seu livro, incluindo a sua underground e insignificante The Beatles?

De qualquer forma, dizem testemunhas que foi amor à primeira vista. Existindo isso ou não, os dois se tornaram inseparáveis - não apenas enquanto namoravam ou enquanto saíam em turnê com sua banda Wings, mas sempre, pelos próximos 30 anos... Interrompidos pela morte de Linda.

Paul estava numa fase ruim com sua noiva Jane Asher. Ela não queria se casar e o sonho dele era ter uma grande e feliz família. Linda estava divorciada do pai de sua filha, que foi embora pra África, deixando as duas nos EUA. Um dia essas duas pessoas esquecidas pelo Cupido se cruzaram num evento em Londres, do qual os Beatles eram convidados e ela estava fotografando. Ele lembra de ter se sentindo encantado pelo fato dela ser a única fotógrafa mulher especializada em rock'n'roll e, conforme reparou em outras ocasiões, como ela era naturalmente bela: seu cabelo de um louro natural, geralmente despenteado, e nunca usava qualquer tipo de maquiagem.

Se encontraram várias vezes depois disso, até que ela teve que retornar pra casa. Meses depois, Paul precisou ir aos EUA com John para anunciar a Apple Corps. por lá, e se encontraram novamente. Mais alguns meses se passaram até que ele telefona perguntando o que ela achava de se mudar com sua filha para Londres. Apesar da relutância em largar sua carreira e família nos EUA, elas foram. Paul e Linda se casaram em 12 de março de 1969 (alguns dias antes de John e Yoko), e Paul adota a filha de Linda, Heather.

No ano seguinte, os Beatles não eram mais uma banda - e, podemos dizer, nem amigos. Paul entrou numa depressão terrível que deixou Linda sem saber o que fazer. Ela sugeriu que ele tentasse seguir uma carreira musical sozinho, ou chamasse alguns amigos para começar quem sabe uma outra banda. Assim surgiu o Wings, do qual Linda acabou fazendo parte. Linda não era música e também não levava jeito pra coisa - o que muita gente fez questão de ressaltar de maneira maldosa; mas ela não fazia isso pela música ou por autopromoção: fazia isso por ele, para acompanhá-lo, para mostrar que ela sempre estaria do lado dele.

Bom, o resto é história. Paul conseguiu a grande e feliz família que sempre sonhou. Sua esposa era sua amiga e companheira fiel. E o casamento ia muito bem, até que em 1995 Linda descobre que tem um câncer de mama, que logo piorou e se espalhou para seu fígado. Linda optou por não fazer tratamento ou tomar qualquer tipo de medicação. Ela era vegetariana e ativista fervorosa em favor dos direitos dos animais, e se recusou a se submeter a tratamentos e medicamentos que foram previamente testados em animais, no que foi relutantemente apoiada por seu marido, que se uniu a ela nas causas. Como era de se esperar, Linda McCartney faleceu em 17 de abril de 1997, aos 56 anos; deixando marido e 4 filhos. Morreu na fazenda da família, cercada por eles. Foi cremada e suas cinzas foram espalhadas por lá.


A morte de Linda deixou bem mais do que a família órfã. O PETA (que é uma organização a favor dos direitos dos animais do qual várias pessoas influentes fazem parte) criou em sua homenagem o "Linda McCartney Memorial Award". Algum tempo depois também foi realizado um "Concert For Linda", em Londres, com vários artistas de peso como George Michael, The Pretenders, Elvis Costello e Tom Jones. Toda a renda foi doada para instituições que pesquisavam tratamentos para o câncer sem a realização de experiências em animais. Também foi erguido um memorial em sua homenagem, em Campbelltown, na Escócia.


Ainda hoje Paul se refere à Linda em tudo o que diz ou faz. Em todos os seus shows, ele oferece músicas para ela (mesmo quando estava casado com a odiável Heather Mills). E, coisa que descobri agora, o nome do seu álbum de 2007, Memory Almost Full, é na verdade um anagrama para "For My Soulmate LLM" (Linda Louise McCartney).

Linda foi o amor da vida de Paul McCartney. Sempre foi e, pelo que testemunhamos ainda hoje, sempre será.




My Love foi uma das tantas músicas que Paul McCartney compôs para sua alma-gêmea, esta ainda em 1973. Ele anda tocando essa canção constantemente em seus shows e, claro, nos lembrando de que foi feita para Linda. É uma música muito bonita e as lágrimas brotam ao ouví-la, é inevitável.

 


Don't ever ask me why
I never say goodbye to my love
It's understood
It's everywhere with my love
And my love does it good

Only my love does it good to me...



Neste mesmo dia, no ano passado, Paul estava tocando em Coachella. Ao anunciar My Love e dizer que era o aniversário de morte de Linda, fica muito emocionado; e desafina praticamente a música toda, de tanto que chorava. Aqui tem uma filmagem de alguém que estava na plateia, caso queiram ver e chorar junto :P



Acho difícil que alguém tenha lido tudo isso, eu me empolguei de novo. Mas, como disse em outro post, a Linda é uma daquelas pessoas por quem eu sinto um carinho enorme sem ao menos tê-la conhecido. Só quis fazer uma homenagem (meia-boca, admito) no aniversário de sua morte. Muito obrigada a quem acompanhou.

Linda Louise McCartney
1941-1998


foto 2: o dia em que se conheceram (1967);
foto 3: o casamento (1969);
foto 4: Wings (c. 1971);
foto 5: com as filhas Heather, Mary e Stella (James ainda não tinha nascido - c. 1974);
foto 6: uma das últimas, Linda já com os cabelos curtos (1998)
foto 7: póstuma (c. 1999)

quinta-feira, 24 de setembro de 2009





Somedays
[Paul McCartney]

Somedays I look
I look at you with eyes that shine
Somedays I don't
I don't believe that you are mine

It's no good asking me what time of day it is
Who won the match or scored the goal...
Somedays I look
Somedays I look into your soul

Sometimes I laugh
I laugh to think how young we were
Sometimes it's hard
It's hard to know which way to turn

Don't ask me where I found that picture on the wall
How much it cost or what it's worth...
Sometimes I laugh
I laugh to think how young we were

We don't need anybody else
To tell us what is real
Inside each one of us is love
And we know how it feels

Somedays I cry
I cry for those who live in fear
Somedays I don't
I don't remember why I'm here

No use reminding me, it's just the way it is
Who ran the race or came in first...
Somedays I cry
I cry for those who fear the worst

...


• Esta canção é de um dos álbuns solo de Paul McCartney, Flaming Pie (), de 1997. Segundo a descrição feita por ele mesmo no encarte,

"Eu levei Linda para uma sessão de fotos de um concurso de culinária que ela tinha que fotografar. Sabendo que ela ia demorar mais ou menos duas horas, eu pensei que deveria escrever uma música nesse meio tempo - então, quando ela voltasse e perguntasse 'Ficou entediado? O que ficou fazendo?', eu poderia dizer 'Ah, eu escrevi essa música. Quer ouvir?'."

• Linda McCartney faleceu no ano seguinte, aos 56 anos, perdendo a luta contra um câncer de mama. Hoje ela faria 68 anos.