Páginas

terça-feira, 6 de julho de 2010

Há 53 anos, a mais famosa dupla do mundo se formava.


Dois rapazes de idades diferentes, classes diferentes, realidades familiares diferentes; que se conheceram na quermesse anual de Liverpool, enquanto a banda de skiffle local, The Quarry Men, tocava. Dois garotos que em nada se assemelhavam, salvo em um aspecto: a paixão pela música. Dois rapazes que viram um no outro o que queriam ser dali em diante...

...A dupla mais importante, produtiva e perfeita da história da música.


"Não havia dúvida, eles estavam sintonizados na mesma estação. No entanto, além da paixão pela música e da identificação, ambos preenchiam enormes lacunas na vida um do outro. Enquanto John era impaciente e descuidado, Paul era perfeccionista - ou pelo menos aparentava ser - na abordagem metódica em relação à música e na forma como via o mundo.

Enquanto John era temperamental e despreocupado, Paul era expansivo, gregário e irrepreensivelmente alegre. Enquanto John era direto e brutalmente franco, Paul usava da diplomacia para manipular as situações. Enquanto John tinha atitude, a natureza artística de Paul era um trabalho em progressão. (...) Enquanto John lutava para se transformar em músico, Paul parecia ter nascido músico."

SPITZ, Bob. The Beatles: A biografia. São Paulo: Larousse do Brasil, 2007.

Lennon-McCartney. Desde 1957.

segunda-feira, 7 de junho de 2010

Os 43 anos do Sargento Pimenta - A capa.

Promessa é dívida, não é? :)


Terminada a gravação do álbum, agora todos precisavam pensar em como seria a capa. Já estava decidido que deveria ser algo inusitado e ousado, como o álbum, também divertido e alegre, mas que se impusesse. Como aquele era um projeto incomum em todos os sentidos e inovava em muitos aspectos, eles também quiseram ser diferentes com a embalagem do disco: não apenas o papel-cartão habitual, mas talvez um algo a mais, brindes extras, qualquer coisa que fizesse as pessoas se interessarem pelo que havia dentro.

(Vejam bem, a essas alturas os Beatles já não vendiam tão bem quanto costumavam, devido à polêmica da declaração de John Lennon que citei no post anterior. Praticamente todo o material de merchandising que vendiam, incluídos os álbuns, eram comprados para ser queimados em praça pública. Então a ideia era fazer as pessoas comprarem o álbum para ouví-lo, por isso o interesse em chamar a atenção.)


Para abrirem a mente para novas ideias a respeito da capa, contrataram uma agência de publicidade de Londres. Como era uma agência nova cheia de gente jovem e empolgada, a ideia inusitada veio logo: já que o álbum é conceitual, ou seja, conta uma história, por que não imprimir uma espécie de livro com as letras das músicas, para que as pessoas possam ler a história enquanto a ouvem? Ideia genial! Assim o Sgt. Pepper's se torna o pioneiro em mais um aspecto que é banal hoje em dia: foi o primeiro álbum da história a incluir um encarte com as letras das músicas.

O esboço da capa ficou por conta de Paul McCartney, que sempre tomava a dianteira nos projetos da banda. Geralmente os outros não gostavam muito dessa autoimposição, mas dessa vez não fizeram objeções, afinal a ideia dele parecia realmente boa: ao invés da costumeira foto dos quatro sozinhos, eles posariam com seus uniformes de banda de marcha em frente a quadros de seus heróis; seria uma foto bem cheia de detalhes e coisas para o público ficar procurando. Chamaram um grupo de artistas plásticos holandeses para ver o que eles poderiam fazer pela arte da parte interna do encarte, e eles inventaram um caos baseado numa típica viagem de ácido: cores espalhafatosas misturadas a paisagens irreais e animais fantásticos. Apesar de bizarro, a banda adorou, mas resolveram consultar seu amigo Robert Fraser, que era um negociante de arte. Ele desaprovou a ideia, disse que era "ruim" e que em pouco tempo seria lembrado como "apenas mais uma capa psicodélica". A ideia teria que ser impactante a fim de marcar pelo significado, não pelo visual.

Por influência dele, chamaram o fotógrafo Michael Cooper e o artista plástico pop Peter Blake. Blake pediu para que eles explicassem que imagem eles gostariam passar com a tal "banda fictícia". Lennon explicou que eles seriam uma espécie de mistura entre banda de marcha e banda militar, e que a foto da capa teria que dar a ideia de que eles acabaram de dar um concerto e que seria legal se tivesse muita gente em volta, representando o público. Inicialmente a foto seria tirada com os quatro em um coreto com seus uniformes e pessoas aleatórias em volta, mas então essa ideia se mesclou com o projeto inicial de Paul, a dos quadros com os heróis: Blake sugeriu que eles usassem, ao invés de pessoas de verdade, fotografias e recortes em tamanho natural, bonecos de cera e coisas do tipo, assim eles poderiam colocar na multidão quem eles quisessem.

Isso foi o suficiente pra ideia ser aprovada de imediato. Agora cabia a eles escolherem quem queriam incluir na multidão. Foi uma lista bem diversificada e incluía gente de todo tipo de meio: George Harrison optou por líderes espirituais indianos, entre eles o Maharishi Mahesh Yogi, que foi guru dos quatro um ano mais tarde. Paul escolheu gente do meio artístico, personalidades da TV, autores. John queria avacalhar a coisa, ainda estava irritado com a repercussão que sua entrevista havia gerado e estava disposto a provocar mais polêmica: sua lista incluía Hitler, o marquês de Sade, Nietzsche, entre outros. Ringo não quis contribuir, disse que "qualquer coisa que eles escolherem, tá bom". Além destes, também incluíram merecidamente Stuart Sutcliffe, que foi o baixista original da banda e morreu anos antes, de repente; e Bob Dylan.

As colagens levaram duas semanas pra ficarem prontas, agora era levar ao estúdio para montar o resto do cenário e fotografar. Os roadies da banda iam atrás do que faltava e os quatro beatles foram atrás das roupas. Escolheram tudo o que acharam de mais chamativo, em cores e tecidos, e com a experiência de John em uniformes militares (por causa do filme do qual havia participado, How I Won The War), criaram os seus. O relógio de flores, que fazia parte do projeto inicial, acabou virando a guitarra que conhecemos na capa atual. As flores não vieram em quantidade e nem em proporção suficientes, e quem acabou montando a guitarra foi o próprio entregador.

Além das fotos da capa e encarte, queriam incluir ainda um brinde. Pensaram em todo o tipo de bugiganga: distintivos de plástico, tatuagens auto-aderentes e pequenas parafernalhas, mas o custo de produção seria altíssimo e não haveria como incluir esse pacote dentro da embalagem do disco de maneira que pudesse ser facilmente manuseado pelo pessoal do estoque da EMI. Então acabaram incluindo no encarte uma folha de cartolina com o distintivo, crachá e bigode postiço para que fossem recortados e armados (nota minha: os encartes da versão do disco em CD também inclui essa folha!).

Mas, apesar da solução mais barata, a produção total dessa capa + encarte saiu uma fortuna para a EMI. Para os outros álbuns, a arte lhes custava entre 25 e 75 libras. Para o Sgt. Pepper's foram gastas nada menos do que 2.800 libras, o que deixou o diretor furioso. E, além disso, a EMI tinha outro aspecto a proteger, além do financeiro: sua reputação. Eles não podiam incluir Hitler na capa de um disco, não poderiam colocar Gandhi com artistas de cinema e simplesmente não podiam usar a imagem de todas aquelas pessoas sem autorização! 

Assim sendo, Paul recebeu em sua casa, dias depois, o projeto com as alterações necessárias, e nele só havia sobrado os quatro, o bumbo com o nome do álbum, as flores e um vasto céu azul. Mas Paul conseguiu contornar a situação e o diretor acabou aceitando a proposta original (sem Hitler e Gandhi, porém) de má vontade e com a autorização das demais pessoas. E mais: se alguma delas quisesse indenização pelo uso da imagem, os quatro processariam a gravadora!

Então vamos à parte divertida, observar a capa e descobrir alguns elementos:

(clique para abrir uma versão maior, para ver os detalhes - sugiro que em uma nova aba!)

► Logo à esquerda (de quem olha) da banda, há 4 bonecos de cera dos próprios Beatles, em sua aparência do início dos anos 60. As estátuas foram emprestadas do museu de cera Madame Tussauds;
► Pelo chão há diversos objetos pessoais deles; algumas imagens em miniatura, um troféu e uma TV, além de vários instrumentos de sopro (que seriam os instrumentos da "banda fictícia");
► Bem no canto direito da foto, abaixo de uma folha de palmeira, há uma boneca da Shirley Temple com uma camiseta dos Rolling Stones;
► Pra quem não conhece o rosto de Stu Sutcliffe, ele aparece na extrema esquerda da foto, em preto e branco; é o terceiro contando de cima pra baixo.

► Quer ver mais? Por este site você confere a capa de maneira interativa, é só passar o mouse por cima da imagem e ela lhe mostrará quem é.

Outras curiosidades:

► A capa ganhou o Grammy na categoria de Melhor Capa e Arte Gráfica em 1968;
► É ainda muito imitada, em tributos e paródias;
► Os seguidores da conspiração Paul is Dead deita e rola com a arte deste álbum. Para eles, tanto a capa quanto as fotos internas e até mesmo a disposição das letras da música são pistas de que Paul realmente estaria morto.


Ufa. Nunca falta assunto sobre esse álbum.

Nota: Minhas fontes de pesquisa estão por toda a internet e na biografia da banda escrita por Bob Spitz. Diferentes versões de certos aspectos existem, mas procurei me basear nas fontes mais confiáveis.

quarta-feira, 2 de junho de 2010

Sargento Pimenta e sua banda completam 43 anos!

No dia 1º de junho de 1967 era lançado o oitavo e mais ousado álbum da banda de rock mais influente do mundo, The Beatles: Sgt. Pepper's Lonely Hearts Club Band.


129 dias de gravação, uma orquestra, vários artistas contratados e incorporações de vários estilos, entre o rock'n'roll, o jazz, música clássica e música indiana tradicional. Foi um sucesso de público e crítica; na época do lançamento ficou 27 semanas no topo das paradas britânicas e 15 semanas no topo das paradas americanas; ganhou 4 Grammys em 1968 e ostenta o primeiro lugar na lista dos 500 melhores álbuns de todos os tempos, segundo a revista Rolling Stone.

Os convido a conhecer um pouco das curiosidades por trás desse fenômeno da história do rock!

We're Sgt. Pepper's Lonely Hearts Club Band, we hope you will enjoy the show!

No fim de 1966 os Beatles já estavam exaustos. A beatlemania e as inesgotáveis turnês ao redor do mundo eram desgastantes e, além disso, eles haviam se dado um problema sem que percebessem: a sonoridade que estavam aos poucos adotando em suas músicas, a partir de Revolver, era impossível de ser reproduzida ao vivo, tamanho o nível de experimentalismo. Ademais, eles estavam caindo no conceito do público desde a infame declaração de John Lennon sobre eles serem "mais populares que Jesus Cristo", meses antes, de forma que as vendas dos discos caíram e os shows não mais lotavam.

De comum acordo (apesar da relutância de Paul McCartney), resolveram parar de se apresentar ao vivo. Ao invés de perder tempo e de se arriscarem com as viagens, usariam esse tempo em estúdio aprimorando sua música e criando coisas novas.

Com todo esse tempo que eles não tinham antes, cada um foi pra um lado. George Harrison foi pra Índia aprender a tocar cítara com Ravi Shankar; seu conhecimento em música indiana foi crucial na realização do Sgt. Pepper's. John estava na Espanha participando das gravações do filme How I Won The War (Ringo foi pra lá com a esposa mais tarde, acompanhar). Paul foi passar uma temporada na França para "relaxar". Deixou crescer um bigode (sua ideia de "disfarce") para evitar confusão nas ruas e, ao perceber que tinha dado certo, uma ideia luminosa surgiu: as pessoas não querem mais ver os Beatles e nós não queremos parar. Então vamos fazer diferente: disfarçados, seremos uma outra banda tocando o que queremos tocar.

Quando voltou para a Inglaterra, já tinha todo o conceito do álbum em mente, além do nome da banda fictícia: Sargento Pimenta e os Corações Solitários. Paul estava empolgadíssimo com a ideia: algo que nunca ninguém havia feito antes, um conceito completamente novo, e eles não teriam que viajar e se apresentar daquela maneira, o álbum iria por eles. A reação dos outros?

George odiou. Para ele, que estava cada vez mais espiritualizado e, vulgarmente falando, de saco cheio daquela coisa toda de ser um beatle, a idea de "fingir ser outra pessoa" era absurda; seria a negação do eu interior, enganar pessoas. Não, sem chance. John Lennon não fez muita objeção, apesar de sempre cortar o entusiasmo de Paul com algum comentário do tipo "pare de viajar na maionese, Paul". O casamento dele com Cynthia estava de mal a pior, e ele já havia conhecido Yoko Ono, então as prioridades dele não eram exatamente música. E Brian Epstein, o empresário... Bom, desde que façam algo, façam qualquer coisa, mas façam. A essa altura ele já estava com a saúde debilitada e viria a falecer pouco tempo após o lançamento do álbum.

Bom, aceita a ideia entre trancos e barrancos, todos no estúdio gravando. Todos deixaram crescer bigodes e criaram o uniforme de banda de marcha. John e Paul, por mais que já não estivessem se entendendo direito, estavam com a criatividade a mil e compuseram praticamente todas as canções do álbum em conjunto, como sempre, um completando o outro. O álbum a princípio seria conceitual e giraria em torno do personagem Billy Shears (interpretado por Ringo, apresentado na canção With A Little Help From My Friends), mas John Lennon e sua teimosia conseguiram mudar o rumo do trabalho, de forma que o Sgt. Pepper's é um álbum semiconceitual, mas ainda assim o primeiro da história.



A temática, no fim, ia de situações do cotidiano, até problemas familiares, a transição da infância à fase adulta; e a inspiração veio fácil, desde notícias no jornal até o comercial de cereal na televisão. A experimentação instrumental com camadas sobre camadas, instrumentos pouco usuais e orquestração foram um acerto para o álbum e para a época. Em 1967 os jovens não queriam mais ouvir as baladas românticas e o pop fácil do início da carreira da banda. Eles estavam mais interessados em discursos político-sociais, ou, talvez mais verdadeiramente falando, música pra "ficar alto". Portanto, o rock psicodélico estava em alta, e era isso que eles deveriam fazer.

A gravação do álbum mesmo foi por si só inusitada. Paul McCartney não queria gente pomposa no estúdio, visto que o conceito seria algo com um quê de circense. Ordenou que os membros da orquestra usassem coisas como perucas e/ou narizes de palhaço, pendurou balões por tudo, distribuía chupetas e aventais para todos, foi uma verdadeira festa. Alguns curtiram bastante o ambiente despojado que o então suntuoso estúdio Abbey Road agora tomava, principalmente os músicos convidados (entre eles membros dos Rolling Stones e The Monkees); mas os mais conservadores membros da orquestra e o próprio produtor George Martin ficaram visivelmente ofendidos... O que não impediu o Sgt. Pepper's de tomar forma e ser o que é até hoje, um exemplo perfeito de conceito, psicodelia e experimentação.



Já falei pra caramba, bem mais do que queria, inicialmente (pra variar). Ainda falta falar da capa, que já daria um post tão grande quanto este. Falo no próximo, afinal, não posso deixar essa parte de fora!

We're Sgt. Pepper's Lonely Hearts Club Band, we hope you have enjoyed the show! ♫

sábado, 17 de abril de 2010

"Toda canção de amor que escrevo é para Linda"


"Oi, meu nome é Paul. Qual é o seu?"
Paul, você era péssimo com cantadas. Ou muito bom, porque funcionou. Mas como essa mulher não saberia quem era você, já em 1967, numa sala cheia de bandas sessentistas que ela estava fotografando para o seu livro, incluindo a sua underground e insignificante The Beatles?

De qualquer forma, dizem testemunhas que foi amor à primeira vista. Existindo isso ou não, os dois se tornaram inseparáveis - não apenas enquanto namoravam ou enquanto saíam em turnê com sua banda Wings, mas sempre, pelos próximos 30 anos... Interrompidos pela morte de Linda.

Paul estava numa fase ruim com sua noiva Jane Asher. Ela não queria se casar e o sonho dele era ter uma grande e feliz família. Linda estava divorciada do pai de sua filha, que foi embora pra África, deixando as duas nos EUA. Um dia essas duas pessoas esquecidas pelo Cupido se cruzaram num evento em Londres, do qual os Beatles eram convidados e ela estava fotografando. Ele lembra de ter se sentindo encantado pelo fato dela ser a única fotógrafa mulher especializada em rock'n'roll e, conforme reparou em outras ocasiões, como ela era naturalmente bela: seu cabelo de um louro natural, geralmente despenteado, e nunca usava qualquer tipo de maquiagem.

Se encontraram várias vezes depois disso, até que ela teve que retornar pra casa. Meses depois, Paul precisou ir aos EUA com John para anunciar a Apple Corps. por lá, e se encontraram novamente. Mais alguns meses se passaram até que ele telefona perguntando o que ela achava de se mudar com sua filha para Londres. Apesar da relutância em largar sua carreira e família nos EUA, elas foram. Paul e Linda se casaram em 12 de março de 1969 (alguns dias antes de John e Yoko), e Paul adota a filha de Linda, Heather.

No ano seguinte, os Beatles não eram mais uma banda - e, podemos dizer, nem amigos. Paul entrou numa depressão terrível que deixou Linda sem saber o que fazer. Ela sugeriu que ele tentasse seguir uma carreira musical sozinho, ou chamasse alguns amigos para começar quem sabe uma outra banda. Assim surgiu o Wings, do qual Linda acabou fazendo parte. Linda não era música e também não levava jeito pra coisa - o que muita gente fez questão de ressaltar de maneira maldosa; mas ela não fazia isso pela música ou por autopromoção: fazia isso por ele, para acompanhá-lo, para mostrar que ela sempre estaria do lado dele.

Bom, o resto é história. Paul conseguiu a grande e feliz família que sempre sonhou. Sua esposa era sua amiga e companheira fiel. E o casamento ia muito bem, até que em 1995 Linda descobre que tem um câncer de mama, que logo piorou e se espalhou para seu fígado. Linda optou por não fazer tratamento ou tomar qualquer tipo de medicação. Ela era vegetariana e ativista fervorosa em favor dos direitos dos animais, e se recusou a se submeter a tratamentos e medicamentos que foram previamente testados em animais, no que foi relutantemente apoiada por seu marido, que se uniu a ela nas causas. Como era de se esperar, Linda McCartney faleceu em 17 de abril de 1997, aos 56 anos; deixando marido e 4 filhos. Morreu na fazenda da família, cercada por eles. Foi cremada e suas cinzas foram espalhadas por lá.


A morte de Linda deixou bem mais do que a família órfã. O PETA (que é uma organização a favor dos direitos dos animais do qual várias pessoas influentes fazem parte) criou em sua homenagem o "Linda McCartney Memorial Award". Algum tempo depois também foi realizado um "Concert For Linda", em Londres, com vários artistas de peso como George Michael, The Pretenders, Elvis Costello e Tom Jones. Toda a renda foi doada para instituições que pesquisavam tratamentos para o câncer sem a realização de experiências em animais. Também foi erguido um memorial em sua homenagem, em Campbelltown, na Escócia.


Ainda hoje Paul se refere à Linda em tudo o que diz ou faz. Em todos os seus shows, ele oferece músicas para ela (mesmo quando estava casado com a odiável Heather Mills). E, coisa que descobri agora, o nome do seu álbum de 2007, Memory Almost Full, é na verdade um anagrama para "For My Soulmate LLM" (Linda Louise McCartney).

Linda foi o amor da vida de Paul McCartney. Sempre foi e, pelo que testemunhamos ainda hoje, sempre será.




My Love foi uma das tantas músicas que Paul McCartney compôs para sua alma-gêmea, esta ainda em 1973. Ele anda tocando essa canção constantemente em seus shows e, claro, nos lembrando de que foi feita para Linda. É uma música muito bonita e as lágrimas brotam ao ouví-la, é inevitável.

 


Don't ever ask me why
I never say goodbye to my love
It's understood
It's everywhere with my love
And my love does it good

Only my love does it good to me...



Neste mesmo dia, no ano passado, Paul estava tocando em Coachella. Ao anunciar My Love e dizer que era o aniversário de morte de Linda, fica muito emocionado; e desafina praticamente a música toda, de tanto que chorava. Aqui tem uma filmagem de alguém que estava na plateia, caso queiram ver e chorar junto :P



Acho difícil que alguém tenha lido tudo isso, eu me empolguei de novo. Mas, como disse em outro post, a Linda é uma daquelas pessoas por quem eu sinto um carinho enorme sem ao menos tê-la conhecido. Só quis fazer uma homenagem (meia-boca, admito) no aniversário de sua morte. Muito obrigada a quem acompanhou.

Linda Louise McCartney
1941-1998


foto 2: o dia em que se conheceram (1967);
foto 3: o casamento (1969);
foto 4: Wings (c. 1971);
foto 5: com as filhas Heather, Mary e Stella (James ainda não tinha nascido - c. 1974);
foto 6: uma das últimas, Linda já com os cabelos curtos (1998)
foto 7: póstuma (c. 1999)

domingo, 11 de abril de 2010

Há 40 anos... (ontem)

... Paul McCartney anuncia o fim dos Beatles.



Apesar da banda já estar acabando desde 1968, pelo menos, e da data oficial do término ser em 1975, dia 10 de abril de 1970 foi quando Paul cansou e chutou o pau da barraca.



"(...) E a história mudaria à medida que seus atores envelheciam. Paul deixou de ser Paul — tornou-se Sir Paul, condecorado pela rainha em 1997. John deixou de ser John — tornou-se São John, um arquétipo para jovens roqueiros irados de todos os cantos. George deixou de ser um estepe — tornou-se George Harrison, artista talentoso e humanitário, que organizou concertos beneficentes para alimentar os pobres e mudar o mundo, algumas coisas e algumas pessoas. E Ringo... bem, Ringo ainda era Ringo. Sempre seria. (...) O garoto doentio que quase morreu tantas vezes acabou vivendo mais do que dois de seus colegas de grupo e tantos outros nesta história."







E, a parte que me fez chorar quando eu acabei o livro: (HUAHAuh)

"The Beatles. Uma imensidão de talento, charme e genialidade incompreensível, um oceano como o que os quatro garotos viam quando olhavam para o horizonte, das colinas de Liverpool. E, a partir daí, uma torrente de canções, de amor, de dor e de beleza, uma torrente que jorrou do Cavern, de Hamburgo e de Londres para o mundo, uma correnteza que empurrou para o lado o que tinha vindo antes, que limpou e que destruiu, e no final nutriu. Água."



(ambos os trechos retirados das páginas 847-848 da biografia de Bob Spitz)